2013-05-20

Bonito e Pantanal

Nascer do dia no Passo do lontra 

Foram bons os motivos que me afastaram daqui. Primeiro a visita de uma amiga que regressou a Portugal no dia da chegada dos meus sogros.Depois destes partirem, foi a minha vez de fazer uma pausa.
Estive no estado de Mato Grosso do Sul, em Bonito e no Pantanal, um sonho com muitos anos. Vim extasiada com a beleza natural difícil de transmitir na escrita, por isso optei por criar um álbum partilhado que podem ver aqui.
Para quem aprecia a natureza, fica um resumo do roteiro que escrevi.
Partimos de Guarulhos para Campo Grande[1h40m] com um casal amigo. Alugamos um carro no aeroporto e seguimos para Bonito [350 km], passando por Aquidauana, Nioaque e Guia Lopes da Laguna.
Bonito tem um turismo organizado com agendamento de muitas actividades situadas em fazendas , das quais destaco: 
-O Rio da Prata de águas cristalinas, no qual flutuamos levados pela corrente ao longo de 2 km, observando as nascentes e cardumes coloridos de diversos tamanhos.
-O Buraco das Araras, onde a par da beleza da paisagem e de dezenas de araras vermelhas que se avistam, está associada a historia da ditadura e de pessoas atiradas para ali.
-A interminável descida até ao lago azul na gruta com o mesmo nome,  apesar de perigosa, pois as rochas húmidas servem de escada.

De Bonito subimos para Passo do Lontra no Pantanal [240km], passando por Miranda, direcção Buraco das Piranhas, onde saímos para a estrada Real Parque [em terra] e após 8 km chegamos ao hotel de pescadores [referenciado pelo Lonely Planet], junto ao rio Miranda. Aí trabalham 2 guias locais experts em vida animal que nos proporcionaram momentos inesquecíveis em safaris nocturnos e diurnos no rio e em terra, passeios a cavalo, observação de aves e pesca de piranhas. 
A diferença horaria é de [menos] uma hora que Brasilia/São Paulo e não existe internet, nem rede de telemóvel/celular. É importante levar dinheiro, super-repelente de mosquitos e abastecer o carro de combustível [em Bonito].
O regresso a Campo Grande faz-se passando por Miranda, percorrendo 310 km em estrada asfaltada. No entanto o nosso foi atribulado, pois o dia amanheceu chuvoso e a ligação do pavimento em terra a uma das inúmeras pontes de madeira ruiu. Este facto obrigou-nos a viajar no sentido contrário quase até à fronteira da Bolivia [Corumbá], passando pela Curva do Leque e atravessando o rio Paraguay de balsa. Um rally em contra-relógio por mais de 100 km em estradas de terra vermelha esburacadas, que nao constam do gps. No final esperavam-nos 360 km de asfalto para apanharmos o voo em Campo Grande, mesmo à justa.

Vi veados pantaneiros, porco do mato, capivaras, crocodilos [às dezenas], cotias, quatis, macaco-prego e uma infinidade de espécies de aves coloridas de diversos tamanhos, incluindo as belas araras azuis, tucanos e tuiuú. 
Desejei alugar uma das palafitas abandonadas, para acompanhar a transformação que a água ou a falta dela provoca nesta região e dispor do tempo necessário para fotografar os animais. Por vezes controlei a ânsia de fotografar, no ensejo de prolongar estes encontros.
Na retina guardo as imagens:
De um impressionante céu estrelado com a via lactea a iluminar o rio, contemplado de um barco. 
No regresso do safari nocturno, a estrada com imensos pontos vermelhos até onde a vista alcançava.Eram olhos de crocodilo, num fenómeno raro e pressentindo a chuva a chegar, subiram à estrada rumando para norte, sentido da proveniência da água.
O amanhecer mágico fotografado às 5.30h ao som incrível do despertar das aves. Um veado saído da margem do rio assustado passou ao meu lado, fitei-o até desaparecer na mata, voltei a olhar o rio e tinha-se formado um duplo arco-iris.
Na memória trouxe o divertido episódio do safari nocturno por nossa conta, em busca da onça pintada. Avistamos dois felinos mas baralhados pela ausência das pintas, no meio de tanta excitação não houve câmara, telemovel ou GoPro que nos valesse.Quando recuperamos a presença de espirito, só restavam as pegadas.Eram dois pumas [onças pardas]!
Hoje falei de um ingrediente da vida, viagens que a enriquecem e humanizam. 
Na próxima publicação prometo uma receita.

2013-04-18

Bolo de chocolate e gengibre

Não se trata de um simples bolo de chocolate, as especiarias incrementam intensidade ao sabor. Na minha opinião uma boa escolha da Dorie às sextas

Ingredientes
2 c. de sopa de gengibre fresco, descascado e picado
1 c. de sopa de açúcar
2 chávenas de farinha de trigo
1 c. de chá de bicarbonato de sódio
2 c. de chá de gengibre em pó
3/4 c. de chá de canela em pó
1/4 c. de chá de cravinho moído
115g+3 colheres de sopa manteiga à temperatura ambiente
3/4 chávena de açúcar mascavado claro[usei 1/2]
3 ovos grandes
1/2 chávena de melaço [usei 1/3 chávena de mel]
170g de chocolate meio amargo [57g derretido, 113g picado]
1 chávena de buttermilk
1 c. de sopa de gengibre em calda picado [usei 1c. de sobremesa] 

Cobertura
85 g de chocolate meio amargo picado
1 c. de sopa de café forte
3 c. de sopa de manteiga sem sal
3 c. de sopa de açúcar em pó[usei 2]

Preparação
Pré-aqueça o forno a 180ºC. Barre uma forma quadrada de 22cm. 
Misture  o gengibre fresco e o açúcar  numa tigela pequena e reserve. Noutra tigela coloque a farinha, o bicarbonato de sódio e as especiarias e reserve.
Numa batedeira, bata a manteiga e o açúcar mascavado, em velocidade média, até ficar fofo [cerca de 3 minutos]. Adicione os ovos, um de cada vez, batendo por 1 minuto após cada adição. Acrescente o melaço e bata até ficar homogéneo. Reduza a velocidade e adicione o chocolate derretido, juntamente com o gengibre açucarado. Ainda em velocidade baixa, adicione os ingredientes secos em três adições e o buttermilk em 2. Junte o chocolate picado e o gengibre em calda. Leve ao forno por 40 minutos, aproximadamente[cozeu em 30m].
Transfira o bolo para uma grade e deixe arrefecer durante 10 minutos antes de desenformar. Deixar arrefecer completamente antes de aplicar a cobertura.

Para fazer a cobertura: derreta em banho-maria o chocolate e café, mexendo ocasionalmente até que o chocolate derreta. Retire a tigela e misture a manteiga (uma colher de sopa de cada vez). Peneire o açúcar em pó sobre o chocolate e mexa. Coloque a tigela com a cobertura em cima do balcão e espere10 minutos para aplicar a cobertura, depois 30 minutos para cortar a primeira fatia.

2013-04-05

Creme de inhame e caril

sopa |ô| 
(francês soupes. f.
1. Alimento que consiste num caldo, geralmente à base de legumes, que se serve no começo das duas principais refeições.

Foi assim que cresci. Com sopa a iniciar as refeições, almoço e jantar, numa  mesa sem cesto do pão  nem refrigerantes.
Não sei quando chegou o gosto das sopas com especiarias, mas lembro bem a que melhor me soube.  
Foi num dia de viagem em jejum forçado de 12 horas, por um Ramadão que não sentíamos nosso. Conseguimos uma sopa quente já no final da tarde.Era um caldo com grão, um pouco de carne e um agradável aroma a denunciar os cominhos [parecida com esta que costumo fazer]. Alguém perguntou "que carne é esta?", sem obter resposta, pois as vozes foram serenadas pelas tigelas quentes, recebidas por mãos ávidas. Comemos em silêncio aquele caldo delicioso, aromático e nutritivo e nunca esqueci o conforto e o prazer que cada colher me trouxe. 
Ontem ao folhear o Creole encontrei esta sopa com caril e claro não lhe resisti, comi ao almoço sozinha e ao jantar acompanhada [sem pão]. O meu pai ficaria orgulhoso de mim! 

Ingredientes para 4
500 g de inhame descascado e cortado
sumo de 2 limas
2 c. sopa de azeite
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1 ramo de tomilho
1 chávena de leite gordo
2 c. sopa de pó de caril [uma das colheres usei deste homemade]
Sal e pimenta preta

Tradicional

Coloque os inhames descascados numa tigela com o sumo das limas e água a cobri-los.
Lave os inhames nesta água e depois escorra e reserve.
Aqueça o azeite na panela e faça um refogado[sem queimar] com o alho, cebola e tomilho.
junte o inhame e continue a cozer. Adicione 3 chávenas de água e deixe ferver por 20 minutos. Triture a sopa num robot, depois transfira de novo para a panela em lume baixo. Junte o leite e o caril e tempere com sal e pimenta. Misture bem e ferva por 2-3 minutos.
Sirva bem quente.

Thermomix
Coloque os inhames descascados numa tigela com o sumo das limas e água a cobri-los.
Lave os inhames nesta água e depois escorra e reserve.
No copo coloque o alho, cebola, tomilho e azeite e triture 1 ou 2 segundos na velocidade 5. Programe 3 minutos, varoma, velocidade 1.
Junte o inhame, 3 chávenas de água e seleccione 20 minutos, 100ºC, velocidade 1.
Adicione o leite, o caril, o sal, a pimenta e triture aumentando a velocidade até à 7, durante 30 a 40 segundos. Marque 5 minutos, 100ºC, velocidade 1.Sirva bem quente. 


2013-04-01

Hummus

Apesar da boa memória, os dedos de uma mão chegam para contar as receitas decoradas.O ritmo das experiências impede a repetição necessária ao exercício de memorização e a necessidade de registar as boas, traça o caminho de um foodblogger. 
Hoje arquivo aqui uma receita básica. A fórmula do Hummus bi Tahini é de Greg Malouf, a preparação da Silvana Rowe e acompanhou bem o nosso almoço de Páscoa. 

Ingredientes
250 g de grão de bico
2 colheres de sopa de bicarbonato de soda [pus 1]
Sumo de 2 limões
2 dentes e alho esmagados com uma c. de chá de sal
100 ml de tahini [usei light apenas 3 colheres de sopa]
sal
pimenta

Preparação
Hidrate o grão com o dobro do volume de água e o bicarbonato, durante uma noite.
Lave, escorra e coza o grão numa panela com água, até se apresentar bem macio.
Escorra e reserve alguns para a decoração.
Triture o grão restante num robot de cozinha com o alho e alguns cubos de gelo[ thermomix velocidade 7]. É este o segredo para conseguir uma textura macia e quase branca.
Junte a seguir o sumo de limão e a pasta tahini, o sal, a pimenta e rectifique a espessura com água se desejar. Quando servir adorne com o grão reservado no topo.

Nota- Na primeira experiência de hummus para ficar a gosto, devem acrescentar aos poucos no final os ingredientes mais fortes: tahini e sumo de limão.

2013-03-27

Gratinado de massa e siri

Não, não é a assistente do iphone. Trata-se do nome popular dado a uma das espécies de caranguejo nativa. 
Inspirada numa receita do Harvest to Heat, alterações profundas deixaram em comum apenas a massa cotovelo. Pedia lagosta que troquei pelo siri nacional, fiz um refogado imprevisto, troquei o queijo e reduzi muito a sua quantidade. 
Como o resultado foi tão bom, aqui fica a forma como o preparei, para quem quiser testar e claro para que possa repeti-lo libertando memória.

Ingredientes para 4 a 6 
5 c. de sopa de azeite
400 g de massa cotovelo
500 g de carne de siri/caranguejo 
1 cebola
2 dentes de alho
1 tomate
3 chávenas de leite
1/3 chávena de farinha
2 c. sopa de manteiga
2 c. sopa de queijo parmesão ralado
sal 
pimenta fresca moída 
noz moscada ralada
1 chávena de pão ralado aromatizado*[1 pão duro, coentros, 1 dente de alho]

Preparação
Comece por cozer a massa al dente num tacho grande com água, 2 c. sopa de azeite e sal. Escorra e reserve numa tigela grande.
Entretanto no copo da Thermomix coloque a cebola, 3 colheres de sopa de azeite e o alho e triture na velocidade 5. Programe 3 minutos, varoma, velocidade 1. Adicione o tomate e programe mais 3 minutos, 100º, velocidade 1. Junte a carne de siri, o sal e pimenta e seleccione 3 minutos, 100º, velocidade colher inversa. Adicione à massa reservada e envolva misturando bem.
Sem lavar o copo da Thermomix faça o bechamel: junte a farinha, o leite e a manteiga e programe 8 minutos, 90º, velocidade 4. No final junte o parmesão ralado, tempere com sal, pimenta e noz moscada e misture mais um minuto na mesma velocidade.
Unte um tabuleiro grande de forno e distribua primeiro a massa com o refogado, de seguida cubra com o bechamel e por cima espalhe o pão ralado.
Leve ao forno a 180º por 30 minutos ou até dourar.

*pão ralado aromatizado- Coloque todos os ingredientes no copo da máquina e triture na velocidade 7 durante 10 segundos ou 15 segundos na velocidade 9 se o pão for muito duro.

2013-03-22

Sopa de tomate, curgete e ervas frescas

Estranho Outono este. A vegetação permanece de um verde imutável, mas a temperatura desceu e já não atinge os 30ºC. A chuva também diminuiu e os torós [tromba-d'água + trovoada] parceiros do calor desapareceram. Lembrando o devir habitual, a Primavera da vizinha teima em florir do meu lado, como forma de se anunciar no meu país. 
Chegou num dia cinzento este Outono sem as cores do meu e serviu de desculpa para por em prática uma sopa da Anna Thomas. Quente, encorpada, aromática e orgânica.

Ingredientes para 8 
30 ml azeite
2 cebolas médias picadas
3 a 4 dentes de alho finamente picados
1 1/2 c. de chá de sal
700 g de curgete/abobrinha em cubos
700 g de tomate maduro
4 a 5 cebolos 
1 bolbo de funcho/erva doce pequeno picado
3 a 4 chávenas de caldo natural vegetal[usei água]
2 chávenas de água
pimenta preta moída fresca
3/4 chávena [30 g] de folhas de manjericão picadas
1/3 chávena [15 g] de folhas de hortelã picadas
3 a 4 c. de sopa de sumo de limão 
feta ou queijo fresco
azeite

Preparação
Leve uma panela grande ao lume com o azeite e salteie as cebolas e alho com uma colher de chá de sal, por 15 minutos ou até ficarem douradas. Adicione a curgete e cozinhe por 20 minutos até ficar macia. Transfira para um recipiente e reserve.
Sem lavar a panela, coloque o tomate picado, o cebolo, o funcho, o caldo e a água. Junte o sal restante [1/2 c. chá], pimenta preta e deixe cozinhar 30 a 40 minutos. Adicione o refogado de cebola e curgete, misture as ervas frescas picadas e cozinhe mais 10 minutos. 
Junte o sumo de limão, mais água ou caldo se achar muito espessa e rectifique os temperos.
Sirva com azeite, queijo e quartos de limão para quem desejar mais sumo.

Alterei a receita para agilizar:
- Piquei os ingredientes do refogado inicial, o tomate e o funcho na Thermomix.
- Não removi a pele do tomate,  usei orgânico.
-Triturei grosseiramente a sopa, antes de juntar as ervas picadas.

Nota-Se reduzir as quantidades para metade é exequível na Thermomix.

2013-03-18

Caril de frango [com tempo]

Houve tempo em que o tempo não esticava e ansiava por ele para fazer um bom caril. Nesse tempo em que recebia críticas por nada escrever aqui, para além da receita. 
Mas o tempo é outro, aquele em que tenho tempo para fazer o que mais gosto e conjugar na primeira pessoa: criar, sonhar, ler, pensar, escrever, explorar, observar, fotografar, passear, cozinhar, estudar, "instagramar", degustar, experimentar e respirar [fundo]. 
Fica em falta, falar, porque dos amigos também tenho falta agora, mas guardo as palavras que lhes direi, na escrita. 
Chicken Curry do livro Sri Lanka flavours, para fazer e comer com tempo ;)

Ingredientes para o pó de caril tostado [rende para várias receitas]
6 cm de talo de capim limão/erva limeira[ só a parte branca]
1 pau de canela
1/2 chávena de sementes de coentro
10 folhas de caril
10 cm de folha de pandano [não usei]
2 sementes de cardamomo
3 dentes de alho
1/4 chávena de sementes de cominhos
1/4 chávena de sementes de funcho/erva doce

Preparação do pó de caril

Toste numa frigideira o capim limão com o pau de canela e mexa 3 minutos ou até apresentar cor dourada. Adicione as sementes de coentro, folhas de caril, pandano, cardamomo e os dentes de alho e aloure mais um minuto.Retire do lume junte o cominho e o funcho e misture com os outros ingredientes. Coloque num robot e triture até reduzir a pó.

Ingredientes para o caril de frango [rende 4 a 6 porções]
8 a 12 pedaços de frango [usei 1 frango inteiro]
1 c. de chá de malagueta seca moída
2 c. de sopa de pó de caril
1 1/2 c. de chá de curcuma
2 a 3 c. de chá de sal
4 c. de sopa de azeite
2 cebolas picadas
5 cm de folha de pandano [não usei]
10 folhas de caril [ou 2 de louro]
1 pau de canela
6 sementes de cardamomo
40 g de erva limeira/capim limão em pedaços[parte branca]
1 a 2 malaguetas verdes
6 tomates picados

2 c. chá de gengibre esmagado
2 dentes de alho esmagados
1 c. de chá de pimenta preta fresca moída
300 ml de leite de coco
1/2 chávena de coentros picados


Tempere o frango com o caril que preparou, a malagueta, a cúrcuma e o sal e deixe de lado por 30 minutos.Aqueça o azeite num tacho e junte as cebolas, pandano, folhas de caril, canela, cardamomo, erva limeira, malaguetas verdes, gengibre e os alhos. Salteie tudo durante 3 a 4 minutos ou até alourarem.Junte o tomate e cozinhe por 2 minutos, de seguida o frango e a pimenta mais 6 minutos.Adicione o leite de coco e quando ferver mantenha por 15 a 20 minutos até o frango estar pronto. Polvilhe com os coentros picados e sirva.

2013-03-15

Bolo de maçã e mirtilos


Simples assim........

Aqueça o forno a 160º C [assei a 180ºC].
Numa batedeira eléctrica junte a farinha, o açúcar, a manteiga, baunilha, ovos e leite e misture até obter um creme homogéneo.Transfira para uma forma de aro untada de 22cm [usei uma de 20 cm] e com o fundo forrado com papel vegetal.
Cubra com os mirtilos congelados ou frescos, a maçã laminada e o açúcar mascavado por cima.
Leve ao forno por 45 minutos ou até o centro estar cozido, testando com o palito.
Sirva com gelado de baunilha.Rende 8 porções.

2013-03-12

Salada de funcho, hortelã e pepino

O estômago pede salada, apesar do calendário anunciar o Outono.Na feira a banca dos orgânicos tem poderes magnéticos, vejo cada molho de vegetais como um pequeno tesouro, lembro-me da frase "food is precious" de Alice Waters e contenho-me, para não desperdiçar. Já em casa lavo e separo os legumes e dou inicio à pesquisa a partir de um ingrediente fresco, sempre inspirador. Construo assim uma refeição, como esta totalmente orgânica. A salada é habitual, desta vez acompanhada de omelete de agrião, sugestão da Rose Elliot. As folhas de agrião murcham apenas o suficiente para manter o contraste, do vegetal crocante com a textura macia da omelete.

Salada para 2
1/2 alface americana
1/4 de bolbo de funcho[erva doce]
folhas de hortelã
1 laranja 
azeite
sumo de limão
sal rosa do Himalaia ou flor de sal

Preparação
Lave os ingredientes excepto a laranja. Comece por rasgar as folhas de alface e coloque na saladeira.
Corte o pepino com o mandolim e de seguida o funcho para dentro da saladeira.
Descasque a laranja, separe em gomos e retire a película branca em volta destes. Adicione à salada. Corte as folhas de hortelã e misture tudo na saladeira. Tempere com sal [usei rosa do Himalaia], azeite e limão, ou se preferir com iogurte grego.

Omolete de agriões para 2
4 Ovos
sal
pimenta
azeite
um punhado de folhas de agrião lavadas

Preparação
Bata os ovos com o sal e pimenta numa tigela. Leve uma frigideira pequena ao lume com um fio de azeite.
Quando estiver quente, deite os ovos e incline a mistura para as paredes da frigideira. Com uma espatula vá raspando e puxando esses pedaços para o meio, repita até obter o centro firme mas húmido.Espalhe as folhas de agrião enxutas em cima da metade do ovo e dobre ao meio com a ajuda da espátula. Vire a frigideira sobre o prato e sirva.


2013-03-08

Tiras de citrinos e chocolate

Mais um encontro com sabor de infância. Era em casa de uma vizinha natural de Tavira, que esperava pacientemente pelo café dos adultos e da taça com as tiras laranja que o acompanhava. O mergulho no chocolate revelou-se uma deliciosa surpresa.  
Um bonito presente em potes de vidro, simples ou mergulhadas em chocolate amargo e uma boa companhia para o café, segundo a autora Annie Rigg. 

Ingredientes para 3 presentes
2 laranjas
1 toranja [substituí por laranja-pêra]
1 limão siciliano
500 g de açúcar [usei 400]
1 fava de baunilha
1/2 c. de chá de grãos de pimenta do reino preta, esmagados
4 favas de cardamomo esmagadas
chocolate meio amargo

Preparação
Corte as laranjas em quartos e retire os gomos deixando a parte branca junto com a casca. Proceda da mesma forma com a toranja e o limão.
Fatie cada pedaço da casca em tiras de 1 cm. Descarte o miolo [usei para sumo na Thermomix]
Coloque as tiras numa panela grande, cubra com água fria, leve ao lume e deixe ferver por 2 a 3 minutos. Escorra e repita este branqueamento mais duas vezes, começando pela água fria, para eliminar o amargo da casca.
Na panela lavada e enxuta coloque o açúcar e 500 ml de água. Corte a fava de baunilha ao meio e adicione, juntamente com os grãos de pimenta e cardamomo.
Mexa em lume brando até o açúcar dissolver, adicione as tirinhas e baixe o lume para o minímo. Deixe ferver por duas horas[ deixei por 1h 40 min] ou até se tornarem macias e transparentes.
Com uma escumadeira retire as tirinhas escorrendo e coloque-as em cima de papel manteiga. Deixe em temperatura ambiente por 2 dias para secarem e o açúcar cristalizar.
Pode oferecê-las assim ao natural ou mergulhá-las até metade em chocolate.
Quando as embalar polvilhe com açúcar de confeiteiro[não polvilhei]
Conservam-se um mês hermeticamente fechadas.



2013-03-04

Madeleines au citron

Sábado ao visitar a exposição permanente da Pinacoteca, na sala 11 [a que mais gostei], deparei-me com um quadro de Segall simbolizando a emigração, que me lembrou duas senhoras muito especiais. 
São irmãs e  chegaram a Santos em 1940, na altura com 12 e 15 anos. Duas semanas antes tinham embarcado na ilha da Madeira, com os pais e 2 irmãos num navio transatlântico. De Santos seguiram para São Paulo onde houve emprego e casa para a família numa fábrica de fiação. Aqui se fixaram, casaram, foram mães de filhos que se tornaram pais, mas dessa família de 6 membros que chegou há 72 anos, só restam as duas. Nunca esqueceram a terra natal, transmitindo a sua história às novas gerações. Em 2012 um elemento da 4ª geração em busca das origens, viajou até à Madeira e encontrou a rua e a casa da família seguindo as descrições de ambas. 
O destino marcou-nos encontro [uma delas é mãe da minha vizinha Aparecida] e ontem tive a honra de recebê-las e às filhas para um lanche.
Escolhi estas preciosas e perfumadas madeleines da Martha Stewart para a ocasião. Enquanto as provámos na companhia de um chá, no ar pairou aroma a capim limão e estórias que nos fizeram viajar no tempo. É sempre um privilégio aprender História pelas vozes de quem a viveu.

Ingredientes para 24 [renderam 46 unid]
210 g de farinha de trigo
1/2 c. de café de fermento para bolos
1/4 c. de café de sal grosso
3 Ovos grandes e 2 gemas
150 g de açúcar em pó
1 c. de café de extracto natural de baunilha
2 c. de sopa de raspa de limão
2 c. de sopa de sumo de limão
180 g de manteiga derretida e uma noz para as formas
açúcar de confeiteiro para decorar. 


Preparação 
Peneire a farinha com o fermento para uma tigela e junte o sal. Na taça da batedeira coloque os ovos, as gemas, o açucar, a baunilha, o sumo e raspa de limão e bata em velocidade média por 5 minutos, até obter um creme esbranquiçado. 
Incorpore a manteiga e depois com a ajuda de uma espátula, a farinha. Deixe repousar por 30 minutos. 
Entretanto pré-aqueça o forno a 180º e unte as formas de madeleines. Distribua a massa pelas formas até 3/4 da altura e leve ao forno por 7 ou 8 minutos, até dourarem. Retire e deixe arrefecer um pouco nas formas. De seguida desenforme e deixe arrefecer numa rede metálica. Polvilhe com açúcar e sirva ou guarde numa caixa hermética, separadas por papel manteiga.

2013-02-23

Mini cupcakes de capuccino

Doces são os encontros com a Silvana. Criava bombons recheados para uma nova marca quando a conheci, eu prestável tornei-me provadora e avaliadora ;) 
A sua objectividade cativou-me logo, depois a criatividade e a procura de ingredientes e combinações de sucesso [nunca esqueci o recheio perfeito de limão e wasabi de um bombom seu].A empatia evoluiu para amizade, de permeio com o trabalho, da sua parte com aulas de gastronomia e da minha com a fotografia.
No seu projecto recente, Ana Cravo [doçaria afectiva] , Silvana faz um refresh do beijinho, doce tradicional brasileiro cuja origem remonta ao beijo de freira português. Numa abordagem inovadora, ingredientes como cumaru, acerola, tonka, gengibre e castanha de baru são usados em doces e felizes combinações. 

Foi num dia dedicado à fotografia entre dolmas, espátulas, fouets e até um curto-circuito na cozinha, mas não por isso menos doce, que estas delicadas miniaturas saíram do meu forno, pelas mãos talentosas da chef Silvana Oliveira.
Com corpo de café e cacau, o núcleo de caramelo semi-líquido e topping de merengue italiano, aqui deixo a sua receita generosamente partilhada para os amantes de cupcakes e algumas das fotografias captadas nesse dia.

Ingredientes para 16 unidades:

1- Massa de capuccino

120 gr açucar
1 Ovo 
60 g de leite  
30 g de óleo
120 g de farinha
50 g de cacau 
sal q.b 
1 c. de café rasa de bicarbonato 
60 g de café quente 

Preparação 
Ligue o forno a 160ºC.
Bata os ovos com o açúcar até obter uma massa esbranquiçada.
Noutro recipiente misture com o fouet o leite, o óleo e depois o ovo.
Depois de peneirar os secos [os fermentos, o cacau e a farinha] adicione ao creme da batedeira e bata em velocidade baixa.
Adicione o café e misture bem. Distribua a massa pelas formas e asse 15 minutos a 160ºC.

Ingredientes para o caramelo
100 g de açúcar
60 g de glucose
1 g de sal
120 g de natas frescas
1/4 de tonka ralada

Preparação
Leve ao lume o açúcar, a glucose e a tonka ralada, até obter um caramelo de coloração média. Nesta altura adicione as natas aquecidas préviamente, aos poucos, mexendo sempre [se o fizer de uma vez vai transbordar] até incorporar.
Coloque a preparação na batedeira com a pá e sal e misture em velocidade média até arrefecer, para obter a consistência que se pretende.

Ingredientes para o merengue italiano
60 g de claras
175 g de açúcar
75 g de água

Preparação
Bater as claras em castelo em velocidade baixa.
Faça uma calda em ponto [bala mole]121 ºC e despejar em fio sobre as claras em velocidade minima. Depois de incorporada a calda bater em alta velocidade até arrefecerem[esfriarem].

Montagem do cupcake
Quando o mini bolo estiver frio corte-o no topo, obtendo uma tampa e retire um pouco do interior ou achate para caber o recheio.Verta o recheio e tape.
Coloque o merengue no saco de confeiteiro, munido de um bico estrela e pressione, desenhando uma espiral terminada em bico, das pontas para o centro.
Queime com o maçarico, com cuidado para não incendiar os cupcases.

2013-02-18

Flan de chocolate negro aromatizado


Aprecio intensamente o momento em que desfaço a textura de um flan na boca. Adoro chocolate a sério [o negro de boa qualidade]. Gosto de usar vagem de baunilha em infusões. Numa comunhão perfeita, estes gostos vieram ao meu encontro nesta receita da Beatrice Peltre, com o acréscimo refrescante do cardamomo. 

Para o caramelo
1/2 chávena /xícara [100 g] de açúcar branco fino
2 c. sopa de água fria
1 c. sopa de água quente

Pudim [para 6 formas pequenas]
2 1/4 chávenas de leite gordo/integral
1 vagem de baunilha, aberta ao meio e liberta de sementes
5 vagens de cardamomo esmagadas
90 g de chocolate negro [70% cacau]
3 ovos grandes
2 c. sopa de açúcar amarelo
cacau em pó para polvilhar

Preparação
Comece pelo caramelo: misture tudo numa frigideira, abane para o açúcar absorver a água e leve ao lume vigiando sempre. Quando ficar dourado retire do lume e divida pelas  formas untados préviamente com óleo de canola.
Pré aqueça o forno a 150ºC.
No copo da Thermomix coloque o leite, a baunilha, o cardamomo e programe 6 minutos 90º, velocidade colher inversa. Adicione o chocolate partido e deixe repousar 1 minuto. Mexa 1 minuto, na velocidade colher inversa e deixe repousar por 20 minutos.Retire a baunilha e as sementes de cardamomo e misture na velocidade 3 durante 10 segundos.  
Entretanto use uma batedeira para misturar os ovos com o açúcar um minuto [bati manualmente]
Coe o leite com chocolate e misture com o creme de ovos até ficar homogéneo.
Divida pelas formas e leve ao forno num tabuleiro em banho maria, com o nível de água pela metade da altura das formas.
Ao fim de 50 minutos retire o tabuleiro com as formas e deixe arrefecer, leve ao frio 2 a 3 horas no mínimo [deixei a noite inteira]
Desenforme com a ajuda de uma faca no perímetro interior de cada forma, se tiver dificuldade, mergulhe o fundo das formas em água quente.

2013-02-15

Vindaloo de porco

Originário de Goa com influência portuguesa, o nome vindalho provém da contracção de vinha de alhos. Sabores indianos e portugueses juntam-se nesta receita tradicional do Natal, seleccionada do livro Curry. O arroz basmati cozido no vapor sem sal, combina bem com o molho e as especiarias. É picante ou ardido, decididamente não para todos ;)

Ingredientes para 6
900 g de porco sem osso cortado em cubos
4 c. sopa de óleo vegetal[usei azeite]
5 dentes de alho picados
2 cebolas, picadas
1 c. chá de curcuma moída
1/2 c. chá de malagueta em pó
1/2 c. chá de polpa de tomate
3 tomates, picados
3 c. sopa de vinagre de vinho ou sidra
sal
pitada de pimenta em grão triturada
1 c. sopa de coentros picados


Massa de especiarias
1 c. chá de sementes de cominhos
4 vagens de cardamomo
4 cravos da India
2,5 cm de pau de canela
5 grãos de pimenta preta
1 malagueta verde picada
2,5 cm de gengibre fresco picado
4 dentes de alho descascados
3 c. sopa de sumo de limão


Preparação 
Para fazer a massa de especiarias, coloque todos os ingredientes num moínho de café [triturei no copo da Thermomix na velocidade 8, durante 10 segundos]. Numa tigela grande misture a pasta obtida com os cubos de carne e deixe repousar num local fresco 1 1/2 hora, tapada com película aderente. 
Aqueça o óleo numa frigideira grande, junte o alho e salteie 1 minuto. Junte as cebolas e cozinhe até alourarem. Adicione a curcuma, a malagueta em pó , a polpa de tomate, os tomates picados e o vinagre misturando bem. Junte o porco marinado e sal a gosto e cozinhe durante 10 minutos mexendo de vez em quando. Adicione 275 ml de água e deixe levantar fervura. Reduza o lume e cozinhe durante 30 minutos, ou até a carne estar pronta e o molho espesso. Tempere com pimenta moída e os coentros picados.